Na última década tem-se assistido a um consumismo que considero excessivo. São cúmulos como ‘o comando está estragado: vou comprar uma televisão nova’ ou, a minha preferida e muito mais comum ‘saiu um iPhone com mais uma letra: vou comprar antes que esgote’.

Convenhamos que hoje em dia se atinge o ridículo facilmente, em especial com esta proliferação de dispositivos móveis em que se chega à parvoíce de inventar o termo “phablet”. Mas a verdade é que a sociedade de hoje troca de equipamentos (seja tecnologia, eletrodomésticos, mobiliário) como quem trocava pares de meias no ano 1990 (antes disso até as meias eram bem poupadas).

Por vezes (e cada vez mais) comprar novo não significa ficar melhor servido. Falamos de mobiliário em que o preço de usados chega custar 15 de mobiliário novo.

Como informático, tenho uma cadeira rotativa (chamadas cadeiras de executivo) há 6 anos. Em meados do ano passado a coluna, onde assenta o pistão a gás estragou-se o que tornou a cadeira algo inutilizável (devido à falta do apoio para o pistão, o assento balançava). Na altura a cadeira custou 60€ e, hoje em dia, uma cadeira semelhante custa acima de 120€. Numa tentativa de resolver a situação, fiz umas argolas de madeira para estabilizar o pistão e a situação ficou mais controlada (embora ainda balançasse bastante).
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Ontem, cansado da situação, pesquisei por cadeiras usadas para retirar a peça e por peças para cadeiras. Nesta pesquisa reencontrei a loja AJ&Filhos (que já tinha visitado há mais de uma década). Desloquei-me à loja e trouxe um pé usado com a coluna para o pistão de gás por 7,50€ e fico com a cadeira por mais uns anos.

Também há uns meses ponderei comprar uma nova secretária, mas como gosto de espaço, pretendia uma secretária com 160-200x80cm. Numa visita ao habitual IKEA deparei-me com esta bela secretária pela módica quantia de 499€. Claro que, depois de me rir e de me sentir ultrajado, desisti da ideia. Ontem, na minha visita, encontrei uma secretária usada com 160x80cm por 100€.

O meu objetivo não é promover a loja até porque não sou associado da mesma. E numa simples pesquisa do Google encontram-se várias lojas de mobiliário usado em vários pontos do país. Pretendo sim, promover a reutilização de equipamentos e terminar com esta prática de comprar só porque se faz uma promoção de 20% (que, diga-se, nos dias de hoje são de 3 em 3 semanas). E usado não quer dizer velho ou estragado.

A juntar a isto, existem regimes especiais de tributação de bens em segunda mão para incentivar à reutilização de bens.

Portanto, se estão a pensar criar um espaço de Cowork ou criar uma pequena e média empresa e acham que o vosso capital pode ser melhor investido noutras áreas, não deixem de procurar por mobiliário ou outros bens usados antes de decidirem comprar novo.